Eduardo

Sobre igualdade relativa

Olho para a minha conta bancária (vazia), depois olho para o que tenho no meu apartamento, saio para esperar o ônibus (lotado) que me leva para o trabalho. Durante o trajeto penso nos donos do local onde sou empregado: casas/apartamentos enormes, carros do ano e contas bancárias cheias, além de diversos investimentos que sempre vão garantir as mordomias deles e das respectivas famílias. Sabe a tal meritocracia? Não existe nesse caso, todos os donos já nasceram ricos e já sabiam que não iam precisar se preocupar com praticamente nada relativo à dinheiro. Discursam com a maior cara de pau contra direitos trabalhistas e impostos que os empresários precisam pagar no Brasil. Já tive que escutar frases no tipo "Empresários geram empregos e riqueza mas são tratados como criminosos no Brasil". Patético. O que posso fazer para enfrentar esse tipo de coisa? Não muito. Me dedico uns 5% do que posso ao trabalho. Entro às 8 horas, começo a efetivamente trabalhar por volta das 9:30 (antes disso já saí da minha sala para tomar café e conversar sobre futebol), faço pausas a cada 40 minutos, deixo atrasar tudo ao máximo, finjo arrependimento depois de cada falha e por aí vai. Medo de ser demitido? Zero. Esses donos morrem de medo de demitir funcionários e automaticamente serem obrigados a pagar a multa de 40% do FGTS, entre outras coisas. Esse cabo de guerra entre empresa-que-não-demite-para-não-pagar-direitos e funcionário-que-só-sai-da-empresa-se-for-demitido chega a ser engraçado. Funcionários claramente "encostados", fingindo que trabalham enquanto a empresa vai ficando para trás em relação à concorrência. Jamais vou me dedicar 100% a um emprego, seja ele qual for. Nenhuma empresa ou empresário merece mais do que os atuais 5% que entrego em troca do meu salário. Foda-se.

#emprego #empresario #meritocracia #trabalho