Sexta-feira de madrugada, eu existo para você?
Sabe Andréia, sempre que saio da sala tenho sentimentos confusos. Não sei se quero muito te encontrar ou só não quero te encontrar de jeito nenhum. Quando te vejo e você é no máximo educada comigo ("Oi", "bom dia") ao mesmo tempo é tudo o que eu preciso para alegrar meu dia e tudo o que me machuca. Sempre fico imaginando "será que ela pelo menos sabe meu nome?", "É hoje o dia em que ela vai fazer uma pergunta pra mim?". Porque como eu já disse para você (será que você ouviu?): meu dia nunca está completo sem te encontrar. Cada vez que te vejo na hora do almoço é uma tortura boa. Claro que não existe a menor chance de você falar comigo (a não ser o dia em que eu queimei minha mão e um tempo depois pude ouvir sua risada, nossa, que som de risada mais delicioso, ainda lembro, parece que durou horas, apesar de ter durado poucos segundos) mas poder te olhar de relance por alguns minutos é o que guardo de bom do meu dia. O dia que você tocou em mim (será que você sabe o tamanho da importância que isso teve no meu dia? na minha vida?) fiquei uma hora olhando para o meu braço e imaginando como seria todo o resto da nossa vida juntos. Depois eu acordei desse sonho, claro. Quem sou eu para explicar o amor né, Andréia? No momento em que escrevo isso é sexta feira de madrugada e você provavelmente está nos braços do seu namorado e nem lembra da minha existência. E por que você lembraria, não é mesmo? Mas o amor é assim mesmo, às vezes nem é sobre a outra pessoa, é sobre nós mesmos, conforme o tempo vai passando e vamos ficando mais velhos já sabemos o que nos espera e quando te vi pela primeira vez eu tive exatamente esse sentimento. O que mais eu poderia fazer? ignorar? Eu adoraria simplesmente deixar pra lá e te tratar só como mais uma pessoa do trabalho, mas é impossível, é muito mais forte do que eu. E o nome desse sentimento nem preciso falar qual é né?